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Amanda Seguezzi

Um dia a vida te convence de que os recomeços são necessários. Que amar demais e por dois não é recíproco. Aprende que esse tempo de que tanto falam é desleal quando quer e honesto quando pode. Percebe que o amor não é para os fracos, mas sim para os distraídos. Descobre que a vida não é essa bomba relógio cronometrada que alguns dizem.
Um dia o choro abafado no travesseiro transforma se em sorriso bobo. E você percebe que finais felizes podem não ser tão mágicos quanto o presente. E se contenta com isso. Entende quando o sofrer passa do ponto e para de cultivá lo.
Um dia a tempestade volta a ser apenas uma garoa fina. E, para cada sorriso seu, uma estrela brotará no céu. Aí, vai entender que nada pode durar além do sufoco da alma. Vai aprender a sentir o cheiro do perigo e ir embora. Saberá fazer as malas. Refazer a vida.
Um dia a vida te convence de que tentar acumular uma pilha de erros com alguém não satisfará a tua felicidade. E vai entender que nada que não passe de teoria merece a oportunidade de ser real. Que os sonhos são maiores que as falsas alegrias. Que difícil mesmo é ficar em cima do muro, enquanto milhares de chances preciosas são perdidas todos os dias.
Um dia você vai saber que ser sozinho não é e nunca foi , ser solitário. E aprenderá a viver sem grades, tanto no peito quanto fora dele. E se apaixonará pelas reviravoltas da vida, as voltas que o mundo dá.
Então, você vai encarar o passado como se não o conhecesse. Para os outros, um mistério. Para você, apenas mais um segredo.
Um dia, se o recomeço não fizer sentido, tente entender que, às vezes, é preciso juntar todos os montinhos de distrações e soprá los ao vento. Compreenda que muitas pessoas vão se perdendo pelos caminhos, enquanto tentamos achar os nossos.
Assuma todos os riscos. Leia todas as peles. Decifre todos os mapas. Siga fazendo o melhor que sabe. Não deixe ninguém tentar modificar o que você é.
Pode levar tempo, mas você entenderá o valor da liberdade que o primeiro passo pode lhe proporcionar.

"Por mais sem sentido que fosse, eu simpatizava muito com a ideologia de esconder se num mundo irreal e imaginário. Nele eu invento. Sou rainha, dama da noite, a peça que se encaixa em todos os quebra cabeças. Nele eu te moldo. Reestruturo tua sensibilidade e altero o status da tua liberdade. Nesse mundo perfeito, viajamos através das cores do arco íris e Sofrimento é o nome de um reino distante. Aquela valsa só não é mais bonita que o pôr do sol refletindo a cor do teu olho, aquele sol não é tão mais puro quanto o sossego entorpecente que tua presença me traz. Entretanto nunca saberás deste lugar. Não correrás comigo na chuva de algodão e não saberás que as flores do campo se abrem devido ao teu sorriso e não por culpa da primavera. Neste espaço, te esculpo em mil faces, mil trejeitos. Te sequestro de mil maneiras, te roubo, me envolvo precipitadamente, contudo não me precipito em querer te tanto só pra mim. Ficas perdido em meus labirintos, na trama dos meus cabelos e nas curvas do meu corpo.
Apenas te perco quando desperto. Meus dedos sempre dançam nas teclas da máquina de escrever, enquanto te desenho com minhas palavras. A realidade é perturbadora, assim como aquela saudadezinha que bate na janela de madrugada de vez em quando. Eu não me adaptava a isso tudo, só assim eu pudera perceber que as ilusões escaparam pelas frestas do pensamento e assumiram um papel real. Era engraçado como eu amava sozinha. Era engraçado alimentar um animal sedento por afeto, atribuindo qualquer pequeno gesto como um sinal de esperança serena. Realidade é olhar para uma estrela cadente e querer desejar qualquer coisa, no entanto sempre acabar comparando o sorriso dele com o brilho de uma constelação. Inevitável não pensar. É dançar conforme uma música desregulada onde sabes que os passos estão errados, mas sabes que não se pode modificá la ou trocar o disco por não seres tu o ser dominante. Queria reviver aquele ensejo onde não precisava visitar esse mundo paralelo com frequência para sentir teu semblante, aquela ocasião onde eu não precisava decorar o teu cheiro e lembrá lo todo dia, pois eu podia senti lo a cada madrugada quando estavas ao meu lado. Ah que frenesi. Te desfaz nos meus braços de novo e me mostra que o infinito é quando nossas almas entram em sintonia e se reconhecem. Infinito era aquela tatuagem discreta no antebraço que ele possuía. Era como eu definia aquele pequeno instante que passava mais que depressa. Era como se perder num universo colateral e não se importar se a eternidade perpetuasse. Era veracidade e virou quimera. Era exatidão e transformou se em teorias impraticáveis. Aquilo que existe de fato nunca fora bem vindo, converteu se em infortúnios cercados de linhas cruzadas e reviravoltas inimagináveis. Quem diria que trazendo nosso mundo à baixo eu conseguiria sorrir amarelo para as possibilidades reais da vida Mas é assim mesmo, ninguém se alimenta de presenças e lembranças não te fazem respirar. Não tem volta e eu já me conformei. Faço do teu silêncio um argumento e da tua ausência um contrato com o sossego, enfim."

Eu falo em seguir em frente, mas eu mesma nunca fui muito de ouvir os meus conselhos. Cometo erros, esqueço aniversários e sou grossa até quando não quero. Mas, apesar dos meus defeitos, sempre tive muitas expectativas no amor. Sério! Como seria. Que formato teria
O que eu não sabia, e o que ninguém me disse, é que o amor não é aquela bala perdida que te acerta sem mais nem menos. Bom, pelo menos comigo funcionou diferente. Foi como ter um alarme no peito e escutá lo esbravejar. Sentir que era a hora de ser um plural.
O amor te deixa bobo e paranoico. As nuvens passam a ter formas, os pássaros cantam mais alto. Você não é você quando se apaixona. O mundo é colorido em duzentos tons de vermelho e você gosta de escutar promessas, mesmo que não tenha pedido para ouvi las. Amor é pensar fora do corpo. Saber ler mentes, decorar trejeitos e, quem sabe até, aprender a fazê los também.
Amar é abaixar a guarda e mandar o exército de autossuficiência recuar.
Amar é compromisso. Amar é uma palavra decisiva. E palavras são destinos, caminhos em linhas que a alma escreve. Escreve na parede do peito do outro. Até porque, você não pode iniciar um incêndio sem uma faísca.
Você ama pela convivência, ama pela afinidade. Ama e entende que ser perfeito não interessa. Perfeição não discute, ela tem medo de ser machucada. Pois com a perfeição não existem os receios. Não tem meio termo. A perfeição te deixa desleixar e some com todas as coragens que você nunca pensou em ter.
Então, por algumas vezes, posso até pensar que o amor é uma bala perdida sim. Pois você sobrevive. E recomeça. E valoriza o que tem. Faz planos, compra duas passagens, dois travesseiros. Aprimora se por dois, se reinventa duplamente. Dentro do nosso universo existe um equilíbrio maluco. O que um faz, o outro faz.
No amor eu consigo improvisar. Aprendo que ser melhor é cronológico, enquanto os sentimentos são atemporais. Aprendo que tenho medo de cometer erros, tenho medo de passar os meus aniversários sem ninguém por perto, medo de ter um vinho na geladeira por mais de três semanas por não ter com quem beber.
Percebi que a vida não é um conto de fadas. É concreta, com pessoas e sensações reais. E essa realidade me envolve, atiça e pasma. Pois, neste plano, o amor será sempre o nosso ponto de encontro. Ponto de ônibus coberto que nos abriga em dia de chuva.
Eu subestimei o amor e a capacidade que ele teve de me mudar. Mas o amor também me subestimou e eu provei para mim mesma até , que ter alguém para esquentar os pés (e o coração) não era de todo ruim.

Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com os lábios cheios de orgulho e veneno apaixonado letal. E, gradualmente, da mesma forma em que o entardecer transita da noite para o dia, vou guardar todos os teus segredos em alguma nuvem de mim. Aí, meus olhos vão enxergar a neblina dos teus e atravessá las feito um cometa. A chuva do meu céu tem o mesmo cheiro que flui do teu abraço quando me cerca. E eu fico ali, boquiaberta, orbitando fora do meu sistema, flertando com as tuas intenções, tropeçando em palavras. Porque, por você, eu estou disposta a viver sem saber o que vai acontecer. Aceito improvisar. Aceito ser o agora ou nunca. Eu quero os teus olhos escrevendo o meu nome. Eu quero que você leia os meus lábios e sobreviva com as minhas dúvidas. Eu quero a certeza do momento, mas não um contrato com o pra sempre. 
Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com êxito em cada sílaba, para disfarçar a pressa que tenho em ser amada de volta. Aí você se transformará na promessa que fiz ao vento. Na memória ininterrupta. Na vida que ainda não vivi. E, subitamente, da mesma forma que o céu toca o mar em dias de tempestade, vou guardar você no meu impossível. Aí, teus olhos vão se tornar o meu anticorpo contra o pessimismo. Por você eu aceito ser fraca. Aceito mergulhar em águas rasas. Aceito ser menos tóxica. Pois eu quero o explosivo que vem enrolado nos teus sentimentos. Eu quero inventar as respostas das perguntas que as pontas dos teus dedos fazem ao meu corpo. Eu quero te esconder em cada hora do meu dia. Eu quero ser o destino que você chama de acaso. Porque, por você, eu aceito ser coincidência. 
Eu vou dizer que te amo da boca pra fora. Que te amo pelos pulmões. Que te amo em cada artéria. E, naturalmente, vou descobrir que quem me envenena é você. Aí, você aceitará ser a minha contradição. O meu calor. A declaração de amor que nunca fiz. 
Então, seremos o óbvio. 
Seremos o prazer do arrepio. Os que se amam em três palavras, mas que podem se destruir em duas. Mas aí, seremos fracos demais para roteirizar uma nova solidão. Estaremos perdidos em nossa própria intimidade. Nós não saberemos mais voltar ao início das nossas histórias se isso arrancar um da alma do outro. A incompetência é o nosso vício. Eu arrebento no lado mais fraco. Eu termino onde você começa.
 Eu te amo da boca pra fora, mas isso você já sabe.

Um menino chamado  
E tentando – ela milésima vez – ter um pouco de ti nos meus contos, percebo que o perco a cada maldita palavra, as mesmas que, por birra ou consentimento, fazem um carnaval em minha mente todos os dias. Percebia então a minha falta de respeito com o destino não aceitando outras linhas tortas no meu caminho, justamente por me adaptar em tua linha, tão confusa, e conseguir me aninhar nela. Desespero, talvez. Ver te assim, tão vivo, tão morto, tão seco, fingindo prazer no nada, letargia óbvia, consciência adormecida, olhar vazio, consegui distinguir do sonho qualquer zelo que a ti já dedique, qualquer adoração maluca que, por milhas do tempo, me acompanharam feito uma máscara de porcelana. Tinha uma boca na tua boca que não era a minha. Você provou outro gosto, outra espessura. Você arruinou qualquer possibilidade do nosso par – por mais sem sentido que fosse , e todos os afetos que algum dia pensei em te presentear num embrulho dourado. Eu não chorei, porque, veja bem, por mais que sentisse a enxurrada de lembranças me dando pontapés no estômago, a fuga das borboletas, a vontade de verter tudo que um dia escapou junto com o sol naquele fim de tarde. Apesar das pernas bambas, do caos me consumindo, do impulso insano de sair correndo e não ver, de ficar parada e aplaudir. Apesar da inveja de quem não conheço, do sentimento de sorte por cair à ficha. Eu descobri que eu alimentava um monstro aqui dentro, o alimentava com a tua presença, que num piscar de olhos pareceu morrer. E ao final de tudo eu ainda conseguia sentir pena daquele menino ali tão amedrontado, tão vazio. Ele era só um menino. Ele era um menino tão só. Contemplei a inexatidão dos olhos que há muito me acompanhavam nas mais diversas formas de sonho. Eu admirava o medo transcendendo em silêncio, e posso até ousar ao dizer que eu sentia o cheiro do teu desespero e ele fedia. Compreendi então, num lapso, que não precisaria mover um dedo, encontrar um significado para tanto desalento ou um conforto para a tua desordem. Percebia através da nuvem negra no contorno do teu corpo que tua desconsolação iria te matar aos poucos e você iria seguir  se depredando. Sumindo. Virando o pó de uma biblioteca com livros sem história alguma. E até me atrevo a dizer que Gabito Nunes lhe dedicou a frase: “Você mal deve ter uma alma, quanto mais gêmea de alguém.”. Caiu a ficha de que eu não preciso querer o mal de quem faz isso sozinho, sem precisar de alheios. Acho que você vai me acompanhar pra sempre a cada loucura, a cada gargalhada alta. Porque você preencheu um vazio em mim que eu nem sabia que existia, e agora eu me sinto vazia também. Vazia de nós. Depois de tudo, eu ainda te desejo um novo recomeço e uma nova perspectiva. Eu te desejo um infinito mais bonito, mesmo que nunca o tenha visto. Desejo nunca mais te ver de novo. E pode passar quanto tempo for, eu acho que ainda vou te dedicar os meus melhores versos.
 Um menino chamado      
Desculpa, mas eu acho nem sei o teu nome direto.

"Foi num desses encontros que a gente se desencontrou.
Eu estava decidida a tentar ser menos coração e detalhes, até a saudade me atingir feito uma daquelas paisagens bonitas e borradas que passam através da janela de um carro a 120 km por hora. A verdade é que você me fez querer pensar demais, desde como o céu é azul até na dança provocativa das chamas em euforia. Sobre querer a garantia de um amor eterno, sem ao menos saber oferecer a minha própria garantia.
Confesso vertigem no azul esperança que estampa as tuas paredes de dentro. Ele escorre por tuas veias, pelos teus mundos. Dá vontade de querer essa esperança transbordando nos meus dias, esquecendo que todo esse mistério pode significar um pouco do teu veneno, um pouco do mal que você me faz, mesmo sem querer fazer. Porque há quem diga que amar é estar em paz, e sensação assim apenas me corrompia em meio aos teus semitons.
Talvez você tenha visto estrelas pontilhando as minhas conexões de caos. Quem sabe tenha pegado todos esses brilhos de esperança e as tenha colocado num colar bonito, e por que não Porque o céu sempre foi um local solitário para você, e apesar da infinidade de estrelas que te serviam como um manto quente, você as deixou sem voz, estranho. Elas tinham medo de não serem tão incríveis quanto o teu melhor sorriso e decidiram ir embora de vez.
Olhar o cru dos teus olhos e compará los a traços feitos a lápis, com desenhos inacabados de almas imperfeitas que por ali já deixaram pegadas e marcas, era o meu mais sombrio vício. É que tens um museu de cicatrizes ao longo da tua espessura, guri, e isso é triste. Eu pensei que se talvez a tua angústia combinasse com a minha, elas poderiam completar se e nos dar um pouquinho de distração.
Você fez da minha vida uma literatura barata daquelas que enfeitam as últimas prateleiras das livrarias. E eu nem me importava. Porque era diferente te ter por perto. Era magnífico como o céu se abria para você sempre os que teus olhos sorriam. Foi ali que percebi que queria ver te envelhecer para também poder amar as tuas rugas.
Você parafraseava os clichês do meu corpo ao mesmo tempo em que eu te cobria com os meus sonetos. E foi assim, contaminando os meus pulmões com o teu ar de maldade, que eu me viciei em solidão. Reconheço que há muito de mim no azul e um pouco de azul dentro de mim, me calo. Transcrito em versos os teus defeitos, era uma destruição a dois que só eu sentia, e até que faltem palavras em mim, não me importo de que a sanidade nunca tome o seu lugar.
Assim que as nuvens começaram a se parecer com cemitérios, eu decidi guardar todas as lembranças lá por cima e esperar que a chuva me molhasse com a tua presença. Estão sendo dias de secas horríveis. Até parece que o mundo tranca a respiração quando passas, mas não te preocupe, benzinho, ele não sabe do mal que você faz. E até hoje eu encubro a tristeza enquanto minha memória recolhe as tuas cinzas."
Tinha gosto de ternura o gosto dele.

Ser do signo de Câncer é ter a certeza de que, em seu coração, há um livro de romance esperando para ser escrito. “Sensível” é o seu segundo nome. Não peça explicações quando ela mesma não sabe se explicar. É sentir a emoção antes da razão; o carinho antes do toque. É viajar em uma nuvem carregada de sonhos, flutuar até onde a imaginação alcança. Lunáticos por natureza, cautelosos por sobrevivência.
Ser canceriano é ter a capacidade de doar o coração ao outro. É saber ouvir com a alma. É cuidado. Os sentimentos são como vidro, nem pense em não segurá los pelas pontas dos dedos.
Câncer é a proteção por trás do conflito interno, é a reconciliação difícil, a resistência teimosa. É ser um caminho de flores, às vezes repleto de espinhos. Saiba onde pisar!
É ser cativante como uma melodia doce; os seus conselhos superam as suas ações. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!” – bem vindo ao mundo dos caranguejos.
Mas nem por um segundo pense que conhece verdadeiramente um canceriano, ele pode lhe surpreender. Por trás da postura vulnerável um vulcão em erupção corre através das suas veias. Intensidade é a sua corda bamba. Rancor e ternura correm em sentidos opostos, é 8 ou 80.
Ser de Câncer é decorar o alfabeto de sentimentos de trás pra frente. É ser instável como as marés e ter várias fases, assim como a Lua. A oscilação de humor é um carro que pega de 0 a 100 km/h em 3 segundos. Não diga o que ele tem que fazer, pois não será ouvido. Não tente uma batalha emocional com o canceriano. Essa é a sua arma. Está no território dele.
A facilidade com a qual Câncer consegue lidar com os extremos de si é mágica e complexa. Tornar se distante e frio é tão fácil quanto mostrar lealdade a quem gosta e, acima de tudo, aos que demonstram igualdade e confiança. O rancor interminável é uma mania feia que os caranguejos nunca aprenderão a superar.
Ser canceriano é ser um colecionador nato. Há um museu em sua memória. Há histórias e mais histórias em cada objeto e fotografia que já guardou. Colecionam desde amores e decepções, até lugares e segredos. O passado é o seu ninho. É algo protegido a sete chaves. É um laço difícil de ser rompido.
E ai de quem duvidar do sexto sentido canceriano! Ai de quem duvidar de que, mesmo com um olho no passado, ele se preocupa com o futuro! Ai de quem duvidar de que ele não consegue lidar com milhares de características em apenas uma personalidade!
Ser ambicioso e ciumento, mas ao mesmo tempo, humanitário e generoso. Tímido e impaciente. Calmo e amante de aventuras.
Ser do signo de Câncer é amar incondicionalmente. Seja um livro, uma música ou alguém.

"Queria sentir de novo aquela adrenalina que me inundava ao fugir de madrugada ao teu encontro sem saber exatamente para onde iríamos. Queria sentir de novo aquele beijo doce tão amargo de recordações tristes só para me certificar, pela milésima vez, de que nosso gosto agridoce ainda é o meu favorito. Queria que fosse possível catar todas as ilusões em que me fizeste cair e, com elas, construir uma ponte a qual interligasse meu coração ao teu. Queria te dizer que o teu sorriso me deixa mais feliz que um feriado no meio da semana e que se for pra ganhar na mega sena, quero meu prêmio em forma de beijos teu. Queria que saudade fosse o nome do nosso animalzinho de estimação. Queria te fazer passar vergonha em meio ao público, elaborar uma declaração de amor, gritar para os quatro cantos do planeta que todo o teu encanto me pertence e só eu posso dormir com o teu moletom. Queria te mostrar que o céu é infinito, porém nada tão arrebatador tanto ver te dormindo ao meu lado num dia qualquer. Queria te dizer que o brilho de uma constelação não equivale ao lampejo dos teus olhos mirando os meus. Queria poder te explicar que se cada pequena estrela fosse uma forma de demonstrar meu afeto por ti, o universo seria insuficiente para defini lo. Queria salientar ao mundo que tu não me enlouqueces apenas quando puxa me pela cintura, mas também quanto finge indiferença pelo simples prazer de provocar. Queria ter a coragem de confessar que os arrepios não são causados pelo frio quando nossos corpos interagem e nossas almas se entrelaçam. Queria calar te com um beijo, alegrar te com uma valsa, acalentar te no inverno frio, mimar te na primavera, abusar te quando verão. Amar te em todos os dias até o último do meu calendário. Te chamar de esfinge, desvendando tua mente, descobrindo o teu corpo, solucionando as charadas da tua alma, embalar te como se fosse uma velha música suave e calma, levar te comigo para qualquer lugar como se fosse brisa. Queria.. Partindo do pressuposto de que "Querer não é poder" , vivo das lembranças de um passado bom, presa no silêncio que o teu carinho genérico proporciona. Um caminho torturante de promessas ilusórias, palavras antecipadas e intenções subtendidas. Se ambicionar é real, prefiro suplicar o devaneio do meu pensamento infame. Te trazendo pra mais perto, sendo desonesta com os sentimentos novos deixando os antigos fazerem um carnaval em meu coração, redigindo uma orquestra de situações corriqueiras, impossíveis e sinceramente, abismada pelos detalhes irônicos inventados. Entretanto feliz. Minha felicidade paira como uma droga, alucinógeno dotado de nome e um sorriso lindo, onde o torpor é constante, a dormência é inebriante e a injeção é letal.."

Eu amo você. Amo os seus dois pés esquerdos. Amo quando você prefere o seu orgulho ao encarar os meus olhos. Porque eu também amo os seus olhos e o modo como o sol os deixa mais claros. Amo os pontinhos pretos no contorno da tua íris, as tuas pequenas conexões de caos. Eu também amo o teu caos, o paraíso do teu inferno. Eu amo você. Eu amo a forma como planejamos bêbados naquele final de festa que tudo daria certo entre nós. Porque eu também amo o aviso “Canalha!” marcado em letras invisíveis na tua testa. Amo você por não gostar de café. Amo você por desafinar Cazuza. Eu amo você. E também o futuro que ainda não conheço, mas vejo nas palmas das tuas mãos. Porque eu também amo quando tuas linhas encostam se às minhas e a gente fica rindo. Eu amo você e os seus pés por caminharem ao meu encontro. Percebo então que amo as tuas artérias, o ar que enche os teus pulmões. Porque eu te amo de dentro pra fora, te amo de longe sussurrando os meus carinhos na curva da tua orelha. Eu amo você. E o teu olhar de criança no mundo adulto. Amo a inocência das tuas expressões e a suavidade dos teus passos. Amo a cegueira, porque também consigo te decifrar em braile. Amo a constelação dos pontinhos das tuas costas. Amo o tremer das tuas mãos apertando a minha cintura. Porque eu também amo o menor dos espaços que nós, assim como amo o teu beijo morno e sequencial. Eu amo você. E as rugas de preocupação da tua testa, o suor que corre despercebido por teu pescoço. Porque eu também te amo nos detalhes, te amo pelas falhas breves e por tudo que você nunca me disse. Eu amo você. E essa junção de todas as canções de Chico Buarque que você consegue ser. E tudo que você faz para eu me afastar de tudo que jamais pensei em ter para sempre, mas também nunca me imaginei sem. Eu amo. Porque amor também é liberdade, céu infinito de outras vidas. Eu amo você. E o modo como você ri da primavera e dos traços tortos nas ruas. Amo a tua sobrancelha arqueada, o cabelo bagunçado, a mordida discreta no canto da boca. Amo como você calcula o tempo em momentos e não em minutos. Porque eu também amo fazer parte dos teus minutos, ser alvo dos teus momentos. Eu amo você. Amo somar o tempo em quantos beijos meus conseguem caber na extensão da tua clavícula. Amo confundir os danos e te trazer pra perto. Amo os acréscimos das tuas costelas. Amo o arrepio dos meus dedos dançando na linha rígida da tua coluna. Amo as tuas queixas, a curva do teu queixo. Eu amo você. Também amo os focos de relâmpagos do teu abraço, o mistério da tua alma e a sedução trivial das tuas paranoias. Eu amo você. E a composição do teu cheiro, amo o amontoado de solidão que você carrega nos ombros. Porque eu amo saber que o teu todo se encaixa nas minhas metáforas mais bonitas. Eu amo você.

Eu, você – O mar e nós.
Saudade das pequenas coisas, saudade dos pequenos gestos. Sobre saudade, sei lá, eu não sei se tu vais me entender. Saudade pra mim é algo indefinível. É a ausência do presente. É andar em grupo e não se sentir parte dele, porque o pensamento está voltado para trás. Para aquela rosa vermelha que alguém colheu. Para as ondas de um mar no verão passado. É olhar o jardim e ver nele um outro. Talvez mais feio ou mais florido. Mas é aquele outro..
O nome ele era sinônimo de saudade. Os braços dele envoltos em minha cintura, sua risada baixa, sua pele quente. Sua forma de passar a mão direita sobre o cabelo escuro quando estava nervoso. Saudade é o modo como ele passava os dedos por meu corpo, contornando minha estrutura e desregulando meus princípios mais supremos. Quando ele beijava minha clavícula e acariciava minha têmpora com as costas das mãos, afirmando que nada possuía mais efeito do que meus olhos brilhando por nós e gritando o seu nome. Ainda não consigo definir. Saudade é acordar na cama dele e ter a honra de vê lo dormir. Ar tão sublime parecia inofensivo, parecia ser meu por alguns instantes. Saudade é o choque que nossas peles ecoavam quando entravam em sintonia, o modo como nossas pernas se encaixavam, a forma como nossas almas se embalavam. Ainda não sei se me compreendes. Saudade era quando os motivos para ficar superavam os que queriam que eu fosse embora. É sentir o coração martelar e mesmo assim permanecer dormente e gostar da dor. É fazer da tua dor a minha dor. Da tua cama a minha cama. Da tua vida a minha. Saudade era aquela cabana pequena onde o telhado de palha nos permitia contar as estrelas, saudade se dava devido ao fato da tua voz rouca falando besteiras no contorno dos meus ouvidos, me abraçando mais forte a cada poema declamado à luz da lua. Ainda não consigo compreender. Saudade era quando teus olhos sorriam ao encontrar os meus. Trágico fim. Tu fugiste com a beleza da noite. Enfim, chorei. Senti frio, tua ausência. Meus pés pesados, minha mão gélida. E uma lágrima sempre rolava, dos olhos que antes sorriam. Saudade. Senti a carícia da areia fina que não machuca, do silêncio gritante a cada pequena onda. Mas eu ansiava por dias melhores. Queria que em todos os dias a primavera ditasse paz e harmonia. Queria que o revés fosse esquecido. Que o passado não pesasse. Que o futuro atraísse. Mas é impossível quando tua alma multicolorida invade a cidade, encobre o céu e me enlouquece. Isso é saudade Ficarias tu orgulhoso por ser o protagonista de todas as minhas desgraças Aquelas as quais espalhei entre mil estrofes Mas fique tranquilo, jamais contarei sobre o nosso segredo a alguém, ninguém nunca saberá daquela mania tosca tua de dizer que se importava comigo a cada maldito final de semana. E acabou. Eu estava a quinze mil pés do chão e mesmo assim ainda conseguia canalizar os pensamentos nele. Avistando tudo lá de cima, inconscientemente eu não me surpreendia, pois encontrava um azul mais anil e mais bonito quando olhava no fundo daqueles olhos. Os mesmos que refletiam o céu e traziam o ar infinito para si. Doce, fresco e perigoso. Meu veneno agridoce favorito que agora parecia não possuir resto nenhum em minha saliva. Saudade é incompreensível mesmo. Ilusória. Comparei o com aquela nuvem ao longe tão sólida, entretanto que o ilusório vício me impedia de perceber que era só fumaça o tempo todo. Estas nuvens, as mesmas que em algum momento do passado já desbravei. Sim, eu toquei as nuvens. Vi um infinito errante através da pequena janela. A chuva caía e com ela minhas lágrimas acompanhavam a gravidade. Saudade é aquilo que captura as melhores demonstrações de afeto e as arremessa de uma forma intensa num presente considerável, é aquilo que te algema e aprisiona nos porões da loucura que não te deixam ir. Indo. Rindo. Remando. Re amando. Não importa se sou um bom marinheiro, a tempestade dele me inunda e eu naufrago. Outra vez.
Eu vivi porque amei e amei até demais.
E nós morremos jovens.”

“Pense nas casualidades que fizeram você gostar de quem se gosta, conhecer quem se conhece. Pense nas milhões de escolhas que levaram você a estar lendo este conto. Ou em como cada ação pode ser modificada em um pequeno instante.
Pense nas aleatoriedades que levaram Cecília a conhecer Enzo.
A maioria das pessoas não se dá conta de que um simples acaso pode mudar qualquer rumo. Em uma escolha, seu inimigo pode virar seu chefe, ou em outra, seu chefe pode transformar se no amor de sua vida. Vai entender..
Era dezembro de 1963.
Uma eventualidade numa fila de cinema. Um encontro. Uma história. Tempos difíceis. E o escondido passara a ser comum e deliciosamente perigoso. Ela lia histórias para ele, já ele cantarolava pra ela. E assim o tempo passava. Enzo era um destemido viajante que possibilitou Cecília a ser desafiada, encarando um mundo fora de sua zona de conforto. Mas não podiam ficar juntos. Enzo era liberdade bruta e ela um diamante lapidado de estímulos bem pensados. Cecília era medrosa, acima de tudo.
Como uma história de final premeditado, a pequena Cecília viu se obrigada a partir. Medo. Prometera que seria a última vez que veria seu amado. Numa bela tarde nas montanhas, ela chorava, desarmada.
“ Não se preocupe, Cecília. Não se preocupe que nada reluz mais do que o brilho do teu sorriso.” – disse Enzo enxugando suas lágrimas.
Por um momento ela acreditou e sorriu pela última vez. O pôr do sol era um aviso e o nascer dele uma advertência imutável. Ah Enzo, mal sabias tu que nunca mais tornaria a ver Cecília.
Enzo nunca conseguira compreender o que fizera de errado para ser esquecido daquele jeito.
Mas é assim mesmo, pessoas vem e vão, entretanto algumas não conseguem partir. São as mesmas que não conseguem expulsar o que já deveria ter ido embora há muito tempo. Não se consegue encontrar a força com que as outras pessoas têm de desatar esses nós de convivência com tamanha facilidade. Você tem medo de quê uma vida não seja suficiente e que só lá no final perceba o que a sensibilidade nunca lhe pareceu consentir. Que a gente morre. E renasce. Re descobre. Re conquista. E morre de novo, mas nunca é igual. Era para ser revigorante, evolução obrigatória. Era pra ser. Observa se que o coração palpita, mas está morto. As ilusões o abastecem e a esperança o deixa pulsando leve. Encontra se um vazio. Levando todos os pensamentos de toda uma vida à uma falência múltipla de um todo. É como um sopro. É um fantasma emocional que transpira arrependimentos e lhe faz notar que não existe apenas um rumo, eles são infinitos.
Esta é Cecília no dia de hoje.
Ela não gostaria tanto assim dele se não fosse aquele cinema em 1963. Não o conheceria.
Não visitaria a velha sala de cinema a cada década mesmo sabendo que aquele instante nunca retornaria. Saudade é aquele sentimento egoísta o qual não queremos que a pessoa saia de perto e não admitimos que elas possam ser felizes distantes de nós. Enzo não conseguiu ser feliz. Ela também não. Apenas com ele, Cecília aprendeu que o futuro é incerto e o presente é realmente um presente. Uma dádiva.
Mas o futuro deles nunca existiu. Não se pode reprimir a coragem e fazê la ser menor que o medo. 1963. O trem saía às 12hs e tanto ele quanto Enzo partiram sem Cecília. Medo de novo.
A única coisa que Cecília recordava era de que Enzo sempre ria alto quando James Dean roubava um beijo da moça bonita do filme. Enzo nunca a roubara um beijo, mas iria pedi la em casamento assim que se acomodassem no tal trem, contudo ela nunca aparecera.
Cecília tinha medo de que não fosse o que queria para si ou que não realizaria seus sonhos de menina ao lado de Enzo. Que covardia. Mal sabia ela que se jogasse suas malas num vagão rumo ao Leste de algum lugar, nunca seria tão feliz e completa. Ah Cecília, vocês teriam filhos lindos. Ela ainda lembra se do olhar cinzento de Enzo a convencendo de que qualquer problema seria resolvido num abraço e palavras confortáveis.
Ela não esquecera os lugares da poltrona vermelha, assim como o número da plataforma, o mês, o ano.. Ela apenas esquecera de que o tempo não era seu amigo e que apesar de viver por tantos anos, não sabia de onde tirar algumas histórias felizes para contar aos seus netos. Ah Cecília, quantos desenganos.
Mesmo depois de décadas ela ainda consegue ouvir as gargalhadas dele ecoando nas paredes do tal antigo cinema. O que a deixa momentaneamente feliz e a faz se arrepender amargamente por não se entregar de corpo e alma a loucura quando teve chance de ser plenamente feliz. Indo ao encontro de Enzo na plataforma 7 naquele dia de chuva ”

Ao clandestino.
Eu só queria te dizer que me arrependo por ser o que você nunca cogitou apreciar. Que eu me engasgo toda vez que te vejo sem rumo por aí. Que quero o mesmo rumo, mesmo não entendendo por quais caminhos tu pretende demarcar os teus passos. Escrevo te por não saber exatamente o que fazer com esse amontoado de palavras que me despem num olhar feroz. Escrevo por vergonha ilícita de tragar saudade ao invés de amnésia. Beber doses de culpa, como se o gosto forte do álcool contracenasse com a tua saliva em uma luta brutal de engano e dívida e mesmo assim eu perdesse pra lembrança. Eu precisei esconder a tremura nas mãos, a pupila dilatada e qualquer outro sinal de fraqueza na tua última visita. Precisei costurar o meu todo em retalhos para que a minha estrutura não se rompesse. Fiz um trato com o acaso e alterei o tom do meu gargalhar. Abracei o travesseiro demoradamente como se aquele perfume me confortasse. Faz assim ó, fica parado enquanto eu passo as pontas dos dedos pelo contorno do teu nariz. Deixa eu rir daquela cicatriz no queixo, morder a ponta da tua orelha. Só fica. Fica quieto, não diz nada, eu não preciso. Só não negue um abraço a quem sente falta de se acomodar nos teus braços. Não sorria, eu nem prezo por você. Apenas finjo gostar enquanto te desejo. Apenas digo que gosto para não dizer que te amo. E foi assim. Meio sem sentido, meio torto. Eu vi numa aresta daquele sorriso algo que eu sempre quis, mas nunca pensei que pudesse existir. Eu vi num tom de pele mil tirinhas de diamantes e vibrei com a ganância e o brilho ilusório. Foi como olhar um dia nublado pela primeira vez. Conseguia sentir o cheiro de terra molhada como o aroma daqueles dias de chuva. Encontrava me nas tempestades dos teus beijos e me adaptava nelas como se aqueles moinhos de ventania fossem feitos especialmente para mim. Assim como o perfume doce. Ao clandestino dos meus pecados, dos meus sonhos sem previsões. É como sorrir para o céu por te ver nele todas as manhãs. É negar, negar, negar. É descobrir que até as palavras usam a distração como rota de fuga. É descobrir que além do meu ontem, você também é a minha distração. É reconhecer dentre os esquecimentos que eu quero te colar nos meus amanhãs. Sim, moreno. Nas manhãs preguiçosas, estirados no sofá da sala, num domingo qualquer. Agora nem isso posso ter. Desculpa não conseguir empilhar nossos instantes numa prateleira qualquer. Desculpa esse dégradé de saudade, redemoinhos de ilusões que me alimentam e te distanciam. Eu sentia tua respiração distante, equilibrando me na corda bamba que nos prendia, mesmo que nada te prendesse a mim agora. Desculpa não ter sido eu a pessoa que desabotoou o teu melhor sorriso.
E eu ainda te dedico os meus versos mais sinceros.
Ao clandestino.