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Crônicas para Crianças

O POEMA DAS CRIANÇAS TRAÍDAS
Eu vim da geração das crianças traídas
Eu vim de um montão de coisas destroçadas
Eu tentei unir células e nervos mas o rebanho morreu.
Eu fui à tarefa num tempo de drama.
Eu cerzi o tambor da ternura, quebrado.
Eu fui às cidades destruídas para viver os soldados mortos.
Eu caminhei no caos com uma mensagem.
Eu fui lírico de granadas presas à respiração.
Eu visualizei as perspectivas de cada catacumba.
Eu não levei serragem aos corações dos ditadores.
Eu recolhi as lágrimas de todas as mães numa bacia de sombra.
Eu tive a função de porta estandarte nas revoluções.
Eu amei uma menina virgem.
Eu arranquei das pocilgas um brado.
Eu amei os amigos de pés no chão.
Eu fui a criança sem ciranda.
Eu acreditei numa igualdade total.
Eu não fui canção mas grito de dor.
Eu tive por linguagem materna, roçar de bombas, baionetas.
Eu fechei me numa redoma para abrir meu coração triste.
Eu fui a metamorfose de Deus.
Eu vasculhei nos lixos para redescobrir a pureza.
Eu desci ao centro da terra para colher o girassol que morava no eixo.
Eu descobri que são incontáveis os grãos do fundo do mar
mas tão raros os que sabem o caminho da pérola.
Eu tentei persistir para além e para aquém do contexto humano,
o que foi errado.
Eu procurei um avião liquidado para fazer a casa.
Eu inventei um brinquedo das molas de um tanque enferrujado.
Eu construí uma flor de arame farpado para levar na solidão.
Eu desci um balde no poço para salvar o rosto do mundo.
Eu nasci conflito para ser amálgama.
II
Eu sou a geração das crianças traídas.
Eu tenho várias psicoses que não me invalidam.
Eu sou do automóvel a duzentos quilômetros por hora
com o vento a bater me na cara
na disputa da última loucura que adolesceu.
Eu sou o anti mundo à medida que se procura o não existir.
Eu faço de tudo a fonte para alimentar a não limitação.
Eu sei que não posso afastar o corpo que não transcende
mas sei que posso fazer dele a catapulta para sublimar me.
Meu coração é um prisma.
Eu sou o que constrói porque é mais difícil.
Eu sou o que não é contra mas o que impõe.
Eu sou o que quando destrói, destrói com ternura
e quando arranca, arranca até a raiz
e põe a semente no lugar.
Eu sou o grande delta dos antros
Os amigos mais autênticos são as águas que me acorrem.
Eu sou o que está com você, solitário.
Quando evito a entrega, restrinjo me.
Quando laboro a superfície é para exaurir me.
Quando exploro o profundo é para encontrar me.
Quando estribo braços e pernas na praça sobre o não alterável
É para andar a galope sobre a não liberdade.
III
Sem bandeira que indique morte qualquer,
avanço das caliças.
Sem porto fixo à espera, nem lar de maternas mãos
ou rua de reencontro.
Ostento meus adeuses.
Sem credo a não ser à humanidade dos que me amam e desamam,
anuncio a catarse numa sintaxe de construção.
Eu escreverei para um universo de concessões.
Eu saberei que a morte não é esterco,
mas infinda capacidade de colher no chão menor adubado,
que poderei sorvê la como à laranja que esqueceu de madurar,
que serei alimento para o verme primeiro da madrugada,
que a vida é a faca que se incorpora em forma de espasmo,
que tudo será diferente, que tudo será diferente, tão diferente
Eu quero um plano de vida para conviver.
Eu ostentarei minha loucura erudita.
Eu manterei meu ódio a todos os cetros, cifras, tiranos e exércitos.
Eu manterei meu ódio à toda arrogante mediocridade dos covardes.
Eu manterei meu ódio à hecatombe de pseudo amor entre os homens.
Eu manterei meu ódio aos fabricantes das neuroses de paz.
Eu direi coisas sem nexo em cada crepúsculo de lua nova.
Eu denunciarei todas as fraudes de nossa sobrevivência.
Eu estarei na vanguarda para conferir esplendores.
Eu me abastardarei da espécie humana.
Eu farei exceções a todos os que souberam amar.

Quando somos crianças, existe aquela vontade de desbravar o mundo, crescer logo, virar gente grande.
E no meio desta loucura sempre surge alguém para cortar nosso barato.
As frases são sempre as mesmas: Você não sabe o que é a vida adulta, curta esta fase porque o tempo não volta.
Estes frases soavam como um conselho chato, embora fosse uma sentença!
Lembro me da minha mãe fazendo um total terrorismo da vida adulta, e não é que ela estava certa.
Ela até hoje me trata como se eu fosse uma criança, sempre me lembrando que a vida fora de casa sofrida e que a responsabilidade é um ônus apenas dos adultos.
E penso que de fato quando adultos somos muito mais cansados e vivemos reclamando das mesmas coisas.
Hoje vejo que o tempo passa muito rápido e algumas expectativas se transformam em cinzas.
Não dá tempo para analisar com demasia e já aconteceu.
Então a gente cresce e fica em total nostalgia de ser aquela criança de outrora, ai aquele tempo com menos preocupações, menos responsabilidades, um menos de um tanto de tudo que hoje é mais.
Neste mundo de tantas diferenças, tanta descrença, a gente sabe que de obrigações a vida está cheia.
Fazer o bem por obrigatoriedade não faz bem.
Agradecer só para fazer tipo não é gratidão.
Amar por obrigatoriedade não é amar! O que é natural, espontâneo, que vem da alma, é o que realmente vale.
Acho muito digno viver sem medalhas de ouro.
Sem bajulação.
Só porque amar vale a pena.
E gratidão também.
Frase de José Carlos N.
S.
Junior: O mundo é só alegoria e minha alma é a passarela.
O mundo é uma falácia.

Em uma sala de aula havia várias crianças.
Quando uma delas perguntou à professora:
Professora, o que é o amor
A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera.
Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e que trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.
As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:
Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.
A primeira criança disse:
Eu trouxe esta flor, não é linda
A segunda criança falou:
Eu trouxe esta borboleta.
Veja o colorido de suas asas, vou colocá la em minha coleção.
A terceira criança completou:
Eu trouxe este filhote de passarinho.
Ele havia caído do ninho junto com outro irmão.
Não é uma gracinha
E assim as crianças foram se colocando.
Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo.
Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.
A professora se dirigiu a ela e perguntou:
Meu bem, porque você nada trouxe
E a criança, timidamente, respondeu:
Desculpe, professora.
Vi a flor e senti o seu perfume, pensei em arrancá la, mas preferi deixá la para que seu perfume exalasse por mais tempo.
Vi a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná la.
Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas ao subir na árvore notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê lo ao ninho.
Portanto, professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho.
Como posso mostrar o que trouxe
A professora agradeceu, pois ela fora a única criança que percebera que só podemos trazer o amor no coração.
“Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem.
Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda.
Todas as criaturas em desgraça têm o mesmo direito a ser protegido”.
São Francisco de Assis

Eu, eu, eu
Há crianças em todo o mundo que tremem ao ouvir um simples bater de porta empurrada pelo vento.
São crianças que jamais saberão se algum olhar é de amor ou se desejam apenas saber sua reação diante de um fuzil apontado para suas cabeças, seja a arma, de aço, intolerância ou de ódio.
Somos todos de certa forma, impotentes e acabamos fazendo parte desta platéia egoísta e extenuante.
Pregamos verdades, soluções em nome de um líder religioso, político, de uma maioridade e assim, vamos caminhando com cordas no pescoço e correntes nos tornozelos, sem que percebamos para onde estamos sendo levados.
Muitos, disputam tudo e gritam sua verdade até a exaustão e assim, vão impondo suas condições aos que precisam que alguém lhes diga o que fazer e por medo ou comodismo, se deixam arrastar pelos becos escuros e fétidos.
A coragem e o discernimento para dizer não, estão ainda em trabalho de parto e quando se trata de ir à luta, não funcionam em muitas pessoas que são alienadas e atadas a um condicionamento autoritário, mas sempre proveitoso e isto, as tornam coniventes com a situação.
Muitos de nós, vivem para engordar o "Ego" e outros tantos, brigam por seus direitos, mas pisam no direito dos outros sem nenhum constrangimento.
Há ainda, os que julgam e condenam com facilidade, mas julgar a sí próprio, será sempre impossível.
Cada um vê em sí, um ser incapaz de equívocos.
"Se o homem não consegue enxergar a sí prórpio, jamais, em tempo algum, verá o próximo".
by/erotildes vitoria/‎quarta feira, ‎5‎ de ‎março‎ de ‎2014/13:15:39
manuscrito de 2008/ed.
2014