Saudação aos que vão Ficar
Como será o Brasil
no ano dois mil
As crianças de hoje,
já velhinhas então,
lembrarão com saudade
deste antigo país,
desta velha cidade
Que emoção, que saudade,
terá a juventude,
acabada a gravidade
Respeitarão os papais
cheios de mocidade
Que diferença haverá
entre o avô e o neto
Que novas relações e enganos
inventarão entre si
os seres desumanos
Que lei impedirá,
libertada a molécula
que o homem,
cheio de ardor,
atravesse paredes,
buscando o seu amor
Que lei de tráfego impedirá um inquilino
ante o lugar que vence
de voar para lugar distante
na casa que não lhe pertence
Haverá mais lágrimas ou mais sorrisos
Mais loucura ou mais juízo
E o que será loucura
E o que será juízo
A propriedade, será um roubo
O roubo, o que será
Poderemos crescer todos bonitos
E o belo não passará a ser feiura
Haverá entre os povos uma proibição
de criar pessoas com mais de um metro e oitenta
Mas a Rússia (vá lá, os Estados Unidos)
não farão às ocultas, homens especiais
que, de repente,
possam duplicar o próprio tamanho
Quem morará no Brasil,
no ano dois mil
Que pensará o imbecil
no ano dois mil
Haverá imbecis
Militares ou civis
Que restará a sonhar para o ano três mil
no ano dois mil
in "Pif Paf"