"Nunca presto atenção nas coisas, não sei para que diabo quero olhos.
Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como sou vaidoso, como sou besta! ”
( em 'Angústia', 1936.)
Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas
com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos
estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei,
ainda nos podemos mexer.
Os escritores brasileiros, e falo dos ficcionistas de agora e mesmo os do passado, podem no meu entender ser divididos em duas categorias: os que têm uma 'maneira' de escrever, e são poucos, e os que têm 'jeito', que são alguns mais numerosos.
O resto é porcaria.
Salvo raríssimas exceções, os modernistas brasileiros eram uns cabotinos.
Enquanto outros procuravam estudar alguma coisa, ver, sentir, eles importavam Marinetti.
Está visto que excluo Bandeira, por exemplo, que aliás não é propriamente modernista.
Fez sonetos, foi parnasiano.
Certos lugares que me davam prazer tornaram se odiosos.
Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo se.
É uma espécie de prostituição.
Quem dormiu no chão deve lembra se disto, impor se disciplina, sentar se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas.
Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá las, contorná las, envolvê las em gaze