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Priscyla Marques

13 Segundos
Ela estava simplesmente linda (simples, mas linda): usava um jeans comum, uma blusa branca comum e sapatos absurdamente comuns.
Ao subir a escadaria o balançar de seus quadris dava lhe um ar sereno e charmoso.
Parecia me segura de si.
Pedi que fosse mais cedo que o normal.
Mesmo assim, quando chegou, o sol já ia vagarosamente revolvendo seus raios.
Abraçou me.
Havia pouco mais de um mês que não nos víamos Mas o importante aqui é o fato de que nunca havia me abraçado.
“oi.
Vamos andando ” disse ela; “vamos” respondi.
Fez se silêncio.
Até que chegamos finalmente ao local onde costumávamos nos sentar.
Bem, a única coisa que eu quero que saiba, é que foi tudo muito rápido pra mim, entende
Rá pi do.
Rápido.
Você quis dizer que foi muito ‘fácil’ pra você.
Sempre achei que você fosse uma garota compreensiva.
Mas está se mostrando infantil.
Infantil Acaso não se parece muito com uma criança quem faz ‘joguinhos’ mostrando se estar apaixonado, mas, que em pouco tempo esquece a tal paixão para ser ‘solidário’ para com a PRÓXIMA, a fim de ajudá la a esquecer outro alguém; e assim deixar de sofrer
Eu não queria falar Mas nunca tivemos nada.
Sempre fomos amigos! Você que entendeu errado.
Logo você que entende tudo.
Ela me olhou profundamente nos olhos parecendo suplicar em silêncio, que eu me retratasse diante daquelas vinte e cruéis palavras.
E, falou com muita calma e certeza
Não pense que estou com raiva de vocês dois.
Eu não culpo a ela por tentar esquecer outro alguém Mas, com quem eu vou te esquecer
Não pude fazer nada enquanto aqueles mesmos quadris “alegres” que subiram a escadaria iam com pouco esplendor se distanciando, até o ponto em que não mais pude avistá los.
A 50 metros, eu não podia mais sentir a dor que ela sentia em dizer “adeus” àquilo tudo.
Pois, bem perto, uma dor mais viva me incomodava.
“A maior covardia de um homem é despertar em uma mulher, um sentimento sem ter a intenção de amá la”, ditou me um amigo, certa vez.
Em apenas 13 segundos tive certeza disso.
Gênero: Conto.

Invisível aos olhos
Vinte anos de casamento.
E, parece que eles haviam chegado ao tão famoso ponto em que o matrimônio significa pouco, diante da rotina.
Dia após dia, vendo os mesmos rostos, tendo as mesmas conversas e não conversando sobre os mesmos tabus.
Na verdade, o cardápio variava.
Mas era só isso.
De um lado, uma mulher que dedicara toda sua juventude a preocupar se com a satisfação (em todos os aspectos) de um homem, o qual julgava seu eterno amor.
De outro, um homem que dedicara toda sua juventude ao trabalho; para não deixar que faltasse o que quer que fosse para a mulher, a qual julgava seu eterno amor.
Pois bem, o “tão famoso ponto em que o matrimônio significa pouco, diante da rotina” estava ali, presente exatamente no espaço que os separava cada vez mais: o tempo.
Dizem que com o tempo as pessoas amadurecem e aprendem a ver a vida por outro ângulo.
Mas, será mesmo assim, ao pé da letra A verdade é que não é assim, sempre.
Com o passar do tempo também podemos infantilizar nos: podemos começar a achar que qualquer coisa é motivo para briga, que determinados tipos de roupa vão nos deixar parecendo ‘velhos’.
Mas, e se nós formos velhos Com o amadurecimento deixamos a preocupação com a “embalagem” para os jovens.
E passamos a nos preocupar com a “aparência”.
E não é tudo a mesma coisa
Com o passar do tempo (o tal espaço) ela foi percebendo que, caso se esforçasse muito, ainda assim não conseguiria lembrar quando ele lhe havia demonstrado afeto após o segundo ano de casamento.
“São dezoito anos sem carinho” pensou.
Enquanto trabalhava ele pensava em quão ingrata era ela, por não reconhecer todos esses anos de esforços que lhes foram dedicados.
“Tantos anos e nenhum agradecimento, afinal” pensou ele.
Mas do que nenhum dos dois se dava conta é de que havia carinho e havia agradecimento em toda a parte.
Em cada cômodo do apartamento: na cozinha o almoço feito com muito carinho para agradecer o esforço dele, fazendo com que repusesse as energias para em seguida fazer mais um esforço; no quarto um mural de fotos e ingressos de shows aos quais foram juntos, para mostrá la que lembrava aqueles momentos com carinho; na sala, uma bíblia aberta em Cantares 8:7 “As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá lo; ainda que alguém desse toda a fazenda de sua casa por este amor, certamente a desprezariam” e uma foto do casamento.
Agradecimento e carinho.
Como num despertar, após um dia de trabalho ele chega em casa e vê que na mesa de centro havia um pote de doce de leite (seu preferido).
E, em seguida, prepara o jantar.
Ao vê lo cozinhando, meio desajeitado, ela percebe que aquela era a forma que ele tinha de dar afeto.
O mesmo ele pensou ao ver o doce: aquela era a forma que ela havia encontrado para lhe agradecer.
A maturidade havia, enfim, chegado.
Diria então Saint Exupéry: “Só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.”

Hey, “amor da minha vida”.
Você bem que poderia aparecer hoje não é
Hoje é um dia bom pra se apaixonar.
Digo: hoje é um bom dia para “o amor da minha vida”, “aquele cara que Deus guardou pra mim” aparecer.
Por que hoje
Ah Hoje não estou tão negativa; estou achando minha pele linda e minha auto estima está nos trinques!
Hoje é um daqueles raros dias em que alguém me pergunta se estou bem e eu respondo com sinceridade “sim, estou”.
Quem souber me elogiar, hoje, me leva no papo.
Se alguém me pedir com jeitinho, hoje, até fujo pra outro país e mudo de nome.
Até estou mais carinhosa hoje.
Sim, hoje as crianças até estão me vendo com uma cara melhor.
Estilo “rainha dos baixinhos”, hoje as crianças sorriram e pediram favores pra mim, mais que de costume.
Só não me deram um doce, porque elas gastam suas poucas moedas com eles, para elas.
Hoje subi na ‘beirada’ da varanda do prédio, só pra pegar uma pipa pros garotos que esperavam que ela caísse de cima do telhado.
Eles amaram.
É hoje.
Hoje seria um bom dia.
Hoje não estou dando tantos foras como antes.
Hoje, “amor da minha vida”, se você chegar na hora certa, até te deixo deitar comigo na rede da varanda e te leio alguns trechos de “Felicidade Clandestina” se você for mesmo meu amor, vai saber que amo ler para os outros dormirem; crianças ou não.
Então vem
E eu finjo que não te esperava: Não limpo a casa inteira até o chão brilhar, não coloco meu melhor jeans e nem uso aquele batom incrível que favorece meus lábios carnudos, não compro pizza, não escovo os cabelos e faço até aquela carinha de “o quê ! ” com direito a boca aberta.
Vem, amor da minha vida!
Hoje é um bom dia.