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Zeneide Ribeiro de Santana

Hoje não se fala mais em remendar roupas – coisa do passado, quando era comum ver donas de casa preocupadas em cerzir meias e refazer costuras nas roupas da família.
Não sei se isso ficou fora de moda por absoluta falta de tempo ou porque tudo agora é meio descartável.
Talvez pelos dois motivos.
Agora “customizar” é mais chique.
Outro dia minha filha apareceu com uma blusa com a manga semidestruída por um grande rasgo, pedindo que a consertasse.
Não queria que cortasse a manga, para não tirar o charme da peça.
Realmente era um belo tecido, de seda clara, com borboletinhas coloridas, muito fofa.
Foi um super desafio, que enfrentei bravamente.
Coloquei um pedaço de meia de seda por baixo e fui costurando com os menores pontos que consegui, por entre a malha toda desfiada do pano.
Por ser estampada, até que deu para “enganar” bem.
Quem olha de longe não percebe bem os remendos.
Mas ela e eu sabemos que eles estão lá! E agora, vocês também!
Sobre o assunto, Jesus observa que “não se deve remendar pano velho com pano novo”, referindo se à novidade de vida daquele que aceita seus ensinamentos.
Na verdade, Ele não remenda, mas restaura completamente, pois seu tecido é novo, sem emendas nem costuras.
“Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Cor.
5:17)
O grande escritor mineiro, Guimarães Rosa, escreveu que “viver é questão de rasgar se e remendar se”.
De fato, várias circunstâncias nos levam ao desgaste, não apenas físico, mas emocional, principalmente.
E, sozinhos, não conseguiremos recuperar o tecido fragilizado da nossa vida conturbada.
Precisamos da ajuda do Restaurador, aquele que levanta os abatidos, dá descanso aos fatigados e alivia a carga dos sobrecarregados.
Que Ele nos ajude a nos refazer, a nos reinventar, a atualizar a vida e os pensamentos, a usar a criatividade para ações diferenciadas que proporcionem alegria e paz de espírito a nós mesmos e aos que nós amamos.

Há uma história, em nossa família, de um tio avô do meu pai, gênio forte, que se enfezava por pouca coisa.
Diz a lenda que, quando ficava muito bravo, não comia, não falava com ninguém e ficava horas atrás da porta.
Pronto! Ele já pegou o Diamante! comentavam os familiares.
Bem mais tarde, quando saia da crise:
Até que enfim, ele soltou o burro! Diamante era o nome do burrinho de estimação lá do sítio.
Pegar o Diamante significava ficar emburrado – o que, até hoje, muitas décadas passadas, ainda se ouve dizer na família, sempre que alguém se comporta assim.
Creio que todos conhecem pessoas que costumam fazer isso: por qualquer motivo irrelevante mudam de humor, reclamam, murmuram.
Também amarramos nosso Diamante!
Aquele paralítico da narrativa bíblica, nas proximidades da Porta Formosa, que por muitos anos aguardava sua vez de entrar nas águas para ser curado, questionado por Jesus sobre seu desejo de cura, pôs se a se lamentar, dizendo que ninguém se importava em ajudá lo a entrar no tanque.
Jesus ali, disposto a atendê lo e ele só reclamando, como um menino emburrado!
Mas, por que criticá lo, se frequentemente agimos do mesmo modo Sabemos reclamar bem e nos fazer de vítima: “Oh Céus, oh vida, oh azar! ” Já repararam, em quanta gente anda resmungando até pelas redes sociais Com essa atitude, além de prejudicar relacionamentos, perdemos ótimas oportunidades de ser abençoados com restauração e cura.
Precisamos nos despir do excesso de sensibilidade e manter o foco naquilo que realmente importa.
O mundo e nem todas as pessoas estão contra nós! Pelo contrário, “Se Deus é por nós, quem será contra nós ” (Romanos 8:31).
Não é maravilhoso
Então, vamos desamarrar nosso Diamante

A princípio, eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que eu fazia.
Desse modo, quando eu morresse, Ele saberia se eu merecia ir para o Céu ou para o Inferno.
Ele estava sempre lá, como um presidente.
Eu reconhecia a imagem d’Ele quando a via, mas não o conhecia de verdade.
Mas, mais tarde, quando O conheci melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
Não me lembro quando Ele sugeriu me que trocássemos de lugar, e a vida não foi a mesma deste então A vida com o Seu poder superior tinha se tornado muito mais excitante!!! Quando eu detinha o controle, sabia o caminho.
Era um tanto entediante, mas previsível sempre a distância mais curta entre dois pontos.
Mas quando Deus assumiu a liderança (Ele conhecia atalhos maravilhosos) passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa!
Tudo que podia fazer era seguir em frente! Embora tudo aquilo parecesse loucura Ele ficava dizendo:”Pedale, pedale!!! ” Eu ficava preocupado e ansioso, e perguntava: ”Para onde o Senhor está me levando ” Deus apenas ria e não me dava uma resposta e me vi começando a confiar Nele.
Logo me esqueci da minha vida entediante e comecei a participar da aventura.
Quando dizia que estava assustado, Ele virava se para trás e tocava minha mão.
Deus levou me até pessoas com dons de que eu precisava: dons da aceitação e da alegria, dentre outros.
Essas pessoas deram me ajuda para prosseguir na minha jornada.
Isto é, nossa jornada, de Deus e minha.
E nós partimos novamente.
Então Ele me disse: “Desfaça se dos dons, são bagagem extra, pesam demais! ” Então eu os dei para as pessoas que encontramos e descobri que quanto mais os dava, mais recebia! E, além disso, o meu fardo ficava mais leve!
A princípio, não confiei muito em Deus quando Ele assumiu o controle da minha vida.
Achei que Ele a destruiria.
Mas o Senhor conhecia os “segredos” da bicicleta, sabia como incliná la para fazer curvas fechadas, pular para evitar lugares cheios de pedras, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis.
Também estou aprendendo a calar me e a pedalar nos lugares mais complicados e aprendi a apreciar a paisagem e a brisa fresca em meu rosto com o meu ótimo e constante companheiro, Deus.
E quando estou certo de que não posso mais seguir em frente, Ele apenas sorri e diz: “Pedale ”

“A vida necessita de pausas.” (Carlos Drummond de Andrade)
Concordo! Especialmente nestes dias de tanta agitação, de atividades desenfreadas, de prazos curtíssimos, de programações intensas.
Quem vive nos grandes centros, então, parece sempre envolvido num turbilhão de compromissos e se irrita frequentemente com o trânsito e com tudo que se constitui um obstáculo no seu caminho.
Reuniões são marcadas no horário de almoço.
A palavra de ordem agora é “foco”.
Não há tempo a perder.
Até as crianças pequenas já se sentem sobrecarregadas por tantas obrigações Será essa a forma de viver plenamente Onde os momentos de tranquilidade com a família, com os amigos E as brincadeiras, insubstituíveis, com a garotada
Outro dia presenciei uma cena até banal, se não estivesse se tornando rara: um pai ensinando a filhinha a andar de bicicleta, sem as rodinhas laterais.
Manhã de domingo, sol forte, ele sem camisa, cuidadoso; ela, toda graciosa, ajeitando a tiara que escorregava dos cabelos escuros, muito atenta.
Recomendações, hesitações E o momento mágico, quando ela sai andando sozinha, sem o auxílio do pai.
Indescritível a alegria no sorriso dele e nos gritinhos de satisfação da garotinha.
Sem preço, realmente!
É a essa pausa que me refiro: parar um pouco a vida estressada e usufruir coisas até esquecidas como a natureza, os amigos, o descanso necessário para o corpo e para a alma.
Pensar na vida, lembram se
O profeta Elias, escondido na caverna, todo depressivo pela perseguição da terrível Jezabel, recebe a visita do anjo que o reanima.
Então, procura a presença de Deus no terremoto, no vento, no fogo e não o encontra.
Vai achá lo na suavidade da brisa que sopra pelo monte Horebe.
Pausa! Tempo de restauração, de reenergização, de reencontro consigo mesmo e com a paz de espírito Pré requisito para uma vida mais saudável, de comunhão.
“A vida necessita de pausas”, Zeneide!
“A vida necessita de pausas”, vocês também!

Ontem me veio à memória um fato ocorrido há vários anos.
Voltava para casa, dirigindo, quando prestei atenção no carro da frente.
A motorista conduzia duas crianças e pareciam falar todas ao mesmo tempo.
De repente, ela levantou a mão esquerda e começou a bater ritmadamente no espaço entre a janela e o teto do carro.
Quando o sinal fechou, na esquina da padaria Bela Portuense, emparelhei o veículo com o dela e a reconheci.
Era uma ex aluna muito querida, com suas duas filhas, voltando do Colégio.
Não tagarelavam, como pensei, mas cantavam juntas.
Nem me viram, envolvidas que estavam na música de louvor a Deus.
Não me lembro se acompanhavam um CD ou cantavam à capela.
Só sei que era uma melodia conhecida, muito linda.
O sinal abriu e lá se foram elas, espalhando pelo ar o eco das suas belas vozes.
E o tempo passou
Explico por que me lembrei dessa cena ontem à noite, durante o culto na IPI de S.
Caetano do Sul.
Estavam na igreja as personagens daquele carro, da família Artigas Costa, juntas com o pai, Edmilson, e o César, marido da Carol.
Os três jovens se posicionaram à frente para louvar a Deus com instrumentos e com as vozes, em companhia de outras irmãs queridas.
Momento lindo e emocionante, de comunhão e de entrega! Pude, então, agradecer ao Senhor por eles e por todos os outros que tocam e cantam para o louvor da sua glória.
Pareciam mesmo consagrados e muito conscientes de que “prazer maior não há/ que me render e te adorar.”
Muito sábio o conselho de Provérbios 22:6 : “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele.”

Aprendi e ensinei a cumprimentar pessoas.
Desde pequenos, meus filhos acenavam para os vizinhos quando saíamos de manhã.
Havia uma senhorinha, que todos os dias varria a calçada e descansava a vassoura, esperando nosso cumprimento, com um largo sorriso.
Mas confesso que tinha dificuldade em saudar pessoas desconhecidas, em puxar conversa em filas ou em transportes públicos.
Numa época, quando ia para o trabalho, passava em frente a uma casa onde, infalivelmente, estava um velhinho sentado no terraço.
Magro, cabelos branquinhos, já bem idoso.
Várias vezes fiz menção de cumprimentá lo, mas me sentia inibida e passava sem me virar para ele.
Um dia percebi que ele não estava lá; na verdade, na semana toda não o vi nenhuma vez.
Então pensei:”Ele morreu! E eu que nunca falei com ele! Fui adiando e agora não terei mais essa oportunidade ” O tempo passou e sempre me lembrava dele com frustração, por não ter conseguido vencer aquela inibição boba.
Até que um dia o vi lá no seu cantinho e sorri, aliviada.
Disse lhe:
Boa tarde! Tudo bem
Todo simpático, respondeu:
Estou bem, sim, professora! (Ele me conhecia! )
Tinha chegado de viagem, pois passara uns tempos na casa do filho, no interior.
Estava corado e parecia mais saudável.
Aquilo me ensinou a não adiar as oportunidades, em várias circunstâncias da vida.
Um simples cumprimento pode não representar muito, mas é uma atenção que não custa nada e pode alegrar o dia de uma pessoa, solitária ou não.
Não nos sentimos bem quando somos lembrados
Uma amiga me contou que, no encerramento de uma aula, à noite, convidou a classe para cantar “Parabéns” para um aluno aniversariante.
Havia descoberto por acaso seu aniversário, enquanto distribuía as carteirinhas O menino chorou, emocionado, e disse que era a primeira vez, nos seus quinze anos de vida, que cantaram para ele
Um cumprimento pode ser o passo inicial para um novo relacionamento, uma boa chance para compartilhar o que temos de mais precioso: o amor de Cristo, aquele que, ressurreto, saudou seus discípulos dizendo “Shallon! ” (Paz, saúde e prosperidade).

Parece que não há muito tato para certos diálogos, nos relacionamentos em geral.
As pessoas disparam “pérolas ” a torto e a direito, sem perceber que podem magoar ou mesmo ofender o outro.
Ou então, o que é pior, pensam e falam de propósito, para atingir mesmo.
Transcrevo aleatoriamente algumas dessas “mancadas” que testemunhei.
No salão de beleza mais movimentado do bairro, uma senhorinha chega à porta e pergunta:
Fia, quando é que eu cortei o cabelo pela última vez
E a profissional, bem calma:
A senhora espera um pouco Preciso consultar minha bola de cristal
Outra cliente, bem “perua”:
Quero que meu cabelo fique igual ao da Giovana Antonelli!
Mas, senhora, seu cabelo está curto e é todo enroladinho!
Então, dê um jeito aí! Se vire!
Numa lanchonete, à beira da estrada, famosa pelos deliciosos bolinhos de frango, enquanto espera que sejam fritos, o freguês comenta com o dono:
Estou com saudade desses bolinhos, que conheço desde criança, do tempo em que seu pai ainda era vivo!
Mas meu pai não morreu!
Como assim Ainda está vivo ! Não acredito!!!
O endocrinologista olha bem para a cabeça da cliente e fala:
Hipotireoidismo também pode provocar queda de cabelo, como se vê
E ela:
Então o senhor deve sofrer de um hipotireoidismo bravo! Está quase totalmente careca!
Outro endocrinologista:
O senhor precisa fazer dieta, urgente! Excesso de gordura prejudica a saúde!
Resposta do paciente:
Então me indique outro regime, diferente do seu, pois o senhor está muito mais gordo que eu!
Esta última ouvi de uma vendedora de cosméticos.
A freguesa queria um creme restaurador para os cabelos e ela, toda gentil, indicou um, dizendo que era excelente.
Na hora, ela disparou:
Se você usa, não deve ser tão bom assim! Seu cabelo está horroroso!
Acho que todos já se envolveram alguma vez nesse tipo de diálogo, como protagonista ou como ouvinte.
Mas é bom se policiar, pois ” a boca fala do que está cheio o coração”.
(Mateus 12:34)Crônicas da Alma