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Poema sobre Pessoas Folgadas

As Boas Coisas da Vida
Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”.
Sem pensar demasiado, fiz esta pequena lista:
Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho.
O sabugo dará um certo gosto ao melado Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.
Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas.
E acontecerem.
Quando você vai andando por um lugar e há um bate bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos servente de pedreiro.
Ler pela primeira vez um poema realmente bom.
Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.
Aquele momento em que você sente que de um velho amor ficou uma grande amizade – ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.
Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne – a mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.
Viajar, partir
Voltar.
Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive no Brasil, voltar para o Rio.
Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte – o assim chamado descanso eterno.