“Mas o sentimento de inadequação, de estrangeirismo, carrego dentro de mim.
Talvez seja da minha natureza não me sentir pertencendo a lugar nenhum, em lugar nenhum.”
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo pra eu cantar
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus, ou quando sua risada se confunde com a minha.